A tragédia no Rio de Janeiro

Tragédia no Rio de Janeiro

O massacre de crianças ocorrido na escola municipal “Tasso da Silveira” em Realengo, subúrbio da cidade do Rio de Janeiro/RJ, foi a principal manchete da semana. A crueldade com que Wellington Menezes de Oliveira executou as suas pequenas e inocentes vítimas, mesmo diante do pedidos das crianças para não serem executadas deixou todos nós chocados. As repórteres que cobriam o caso choraram ao ver os relatos das crianças, que pediram para não serem executadas. Entretanto, impassível, o assassino mandou-as ajoelhar e atirou-lhes na cabeça. A imprensa nacional e a mundial repercutiram o fato com destaque. O primeiro evento deste tipo ocorrido no Brasil.

Todos se questionam acerca do perfil psicológico do assassino, sobre seu passado, etc. Entrevistas com peritos forenses, psiquiatras e especialistas eram constantes nos veículos de imprensa.

No entanto, não são estas as principais questões que, em razão deste trágico fato, devem ser debatidas pela sociedade brasileira.

Minimizar o risco à vida e à integridade física das pessoas na sociedade moderna

Em primeiro lugar, é importante lembrar que a sociedade moderna é uma sociedade de risco, sendo inúmeros os fatores do nosso dia-a-dia que podem gerar eventos indesejados. Logo, é necessário adotar medidas que minimizem o risco à vida e à integridade física das pessoas.

Restringir o comércio das armas, neste sentido, é fundamental. Quanto maior o número de armas, legais ou ilegais, em circulação maior o risco de eventos como o da Escola “Tasso da Silveira”. Desta forma, tanto maiores serão as taxas de homicídios, de roubos, etc., mantidas as demais condições sociais, econômicas e culturais da nossa sociedade.

Psicopatas, psicóticos, pessoas descontroladas existem em qualquer lugar e sempre existirão. É um fator incontrolável. Ademais, vendo a história de vida do "assassino", ele parece ser mais uma "vítima" desta tragédia.

Controlável é a disponibilidade dos instrumentos que causam estes eventos trágicos.

Alguns poderão argumentar que o comércio ilegal das armas no Brasil é grande, de modo que desarmar os “cidadãos de bem” só os deixará desprotegidos contra os “bandidos” armados. Entretanto, esquecem que as armas do comércio ilegal um dia foram “legais”.

Com restrições ao comércio de armas, diminuirá as armas em circulação e, certamente, o delinquente não poderá comprá-la por apenas R$ 260,00, como foi o caso.

Em 1994, visitando Londres, fui informado acerca das medidas restritivas do porte de armas adotadas pelo governo inglês. A informação que obtive foi de que nem mesmo os policiais ingleses atuam armados, havendo quem diga que apenas um grupo de elite dispunha de armas. Resultado: Londres conseguiu obter taxas baixíssimas de homicídios.

Numa visita de Tony Blair ao Brasil, o Primeiro Ministro Inglês relatou tal experiência ao então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Foi a partir daí que começaram a ser adotadas medidas restritivas às armas que culminaram no Estatuto do Desarmamento.

Em 2005, no referendo sobre as armas, a população brasileira votou contra a proibição total ao comércio, votou a favor da barbárie. Agora, sofre as consequências.

Trânsito mata mais que a criminalidade ordinária sem a mesma repercussão

No mesmo dia em que ocorreu a “tragédia” do Rio de Janeiro/RJ, uma ultrapassagem indevida de um caminhão em Goiás deixou 15 mortos e 20 feridos, ou seja, um maior número de vítimas sem que a imprensa tenha dado o devido destaque para a notícia.

“Um acidente envolvendo um ônibus da Viação Transbrasiliana e dois caminhões - um deles carregado com pedras e outro do tipo frigorífico, transportando carne -, às 15h45 de quinta-feira, 7, no quilômetro 148 da BR-153, em Mara Rosa (GO), no norte goiano, deixou, até o momento, um saldo de 15 mortos e 20 feridos.
Chovia forte na região no momento do acidente - uma colisão frontal entre o ônibus e um dos caminhões - provocado por um terceiro caminhão que realizou uma ultrapassagem de risco, num trecho onde a via é simples com mão dupla de direção. Havia 32 passageiros dentro do ônibus, que saiu de Goiânia e seguia para a capital piauiense, Teresina.
Dos 20 feridos, pelo menos três continuam internados em estado grave. As vítimas foram encaminhadas por ambulâncias e bombeiros para hospitais das cidades de Uruaçu, Mara Rosa, Estrela do Norte e Porangatu. Os corpos das vítimas estão no Instituto Médico Legal (IML) de Mara Rosa.
Em razão do acidente, a rodovia permaneceu bloqueada até as 22 horas, gerando mais de 10 quilômetros de congestionamento em ambos os sentidos. Até o final da noite, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) não tinha mais informações sobre as vítimas”.
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  • Não seria também esta uma tragédia?
  • Por que a imprensa também não se dedicou a analisar as causas da morte de tantas pessoas inocentes também neste caso?
  • Qual a justificativa desta diferença de tratamento entre o “assassinato” e o “acidente de trânsito”?

O que se chama atualmente de “acidente de trânsito” não é de fato um “acidente”, no sentido de um evento incontrolável, algo produzido pelo destino, mas um “incidente”, ainda que não desejado, pois é um evento evitável, que só é produzido porque algum dos participantes do trânsito pecou na sua cautela devida, fazendo, por exemplo, uma ultrapassagem indevida ou trafegando em excesso de velocidade.

Minimizar os riscos também no trânsito

Fiscalizar o trânsito, coibindo mesmo as infrações consideradas mais leves, dar prioridade ao transporte público e ao transporte alternativo (bicicleta) é minimizar a probabilidade de ocorrência destes “incidentes”, é proteger a vida e a integridade física das pessoas, é proteger os direitos humanos, tão deturpados pelas autoridades públicas e pelos seus supostos defensores.

Observação: Nossa Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes (PT/RS), que apareceu à noite na escola em Realengo com um "ar de choro", foi a mesma que recebeu, em 2008, na campanha para a Prefeitura de Porto Alegre/RS, R$ 75.000,00 (setenta e cinco mil reais), da fabricante de armas Forjas Taurus S/A. Link: http://www.asclaras.org.br/2008/candidato.php?CACodigo=351407

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